Eu tenho celulite. Sou impaciente, cabeçuda, coloco pouco sal na comida e não gosto de pimentão. Nunca aprendi a descascar laranjas, meu dedão da mão direita é diferente do da esquerda. Detesto lavar panelas e me arrepio só de ver uma lagartixa ou sapo.
Meu guarda-roupa vive bagunçado, não gosto de passar roupa, não sou lá muito chegada em tarefas domésticas e nunca consegui plantar bananeira.
Tenho alguns medos que não me deixam, um pensamento acelerado e um humor terrível quando estou com sono ou fome. Sou irônica, debochada e maldosa quando quero. Crio caso com pouca coisa, não sou tolerante, fico nervosa à toa.
Já tive pensamentos ruins a seu respeito. Mas não se preocupe: já pensei coisas ruins de mim também.
Deixei algumas oportunidades escaparem pelos meus dedos. Já me arrependi de ter falado. E de não ter dito nada quando devia dizer. Acabei me acostumando com o que não deveria. Me frustrei por não receber o que esperava, depois me culpei por ter esperado algo: a gente nunca deve esperar nada, nada, nada de alguém.
Às vezes, não acredito em mim e dou muita bola para o que dizem. Então, respiro fundo, tento me achar no meio desse caos que eu sou e penso: mesmo defeituosa, eu mereço alguma paz. E vou em busca do que eu acho certo. Custe o que custar.
Clarissa Corrêa
Meu guarda-roupa vive bagunçado, não gosto de passar roupa, não sou lá muito chegada em tarefas domésticas e nunca consegui plantar bananeira.
Tenho alguns medos que não me deixam, um pensamento acelerado e um humor terrível quando estou com sono ou fome. Sou irônica, debochada e maldosa quando quero. Crio caso com pouca coisa, não sou tolerante, fico nervosa à toa.
Já tive pensamentos ruins a seu respeito. Mas não se preocupe: já pensei coisas ruins de mim também.
Deixei algumas oportunidades escaparem pelos meus dedos. Já me arrependi de ter falado. E de não ter dito nada quando devia dizer. Acabei me acostumando com o que não deveria. Me frustrei por não receber o que esperava, depois me culpei por ter esperado algo: a gente nunca deve esperar nada, nada, nada de alguém.
Às vezes, não acredito em mim e dou muita bola para o que dizem. Então, respiro fundo, tento me achar no meio desse caos que eu sou e penso: mesmo defeituosa, eu mereço alguma paz. E vou em busca do que eu acho certo. Custe o que custar.
Clarissa Corrêa






