quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Eu ....


21 de dezembro de 2013 às 13:52
Eu tenho celulite. Sou impaciente, cabeçuda, coloco pouco sal na comida e não gosto de pimentão. Nunca aprendi a descascar laranjas, meu dedão da mão direita é diferente do da esquerda. Detesto lavar panelas e me arrepio só de ver uma lagartixa ou sapo.

Meu guarda-roupa vive bagunçado, não gosto de passar roupa, não sou lá muito chegada em tarefas domésticas e nunca consegui plantar bananeira.

Tenho alguns medos que não me deixam, um pensamento acelerado e um humor terrível quando estou com sono ou fome. Sou irônica, debochada e maldosa quando quero. Crio caso com pouca coisa, não sou tolerante, fico nervosa à toa.

Já tive pensamentos ruins a seu respeito. Mas não se preocupe: já pensei coisas ruins de mim também.

Deixei algumas oportunidades escaparem pelos meus dedos. Já me arrependi de ter falado. E de não ter dito nada quando devia dizer. Acabei me acostumando com o que não deveria. Me frustrei por não receber o que esperava, depois me culpei por ter esperado algo: a gente nunca deve esperar nada, nada, nada de alguém.

Às vezes, não acredito em mim e dou muita bola para o que dizem. Então, respiro fundo, tento me achar no meio desse caos que eu sou e penso: mesmo defeituosa, eu mereço alguma paz. E vou em busca do que eu acho certo. Custe o que custar.

Clarissa Corrêa

A Inveja


17 de dezembro de 2013 às 00:45

Quem nunca sofreu com a inveja? A inveja é uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-las. Veja esta pequena fábula.

''Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume que só vivia para brilhar. Ele fugia rapidamente, com medo da cobra. Fugiu durante um dia e ela não desistia, dois dias e nada da cobra desistir.
No terceiro dia, já sem forças, o vagalume parou e disse à cobra:
Vagalume: Posso lhe fazer uma pergunta?
Cobra: Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou te devorar mesmo, pode perguntar.
Vagalume: Pertenço à sua cadeia alimentar?
Cobra: Não.
Vagalume: Te fiz alguma coisa?
Cobra: Não.
Vagalume: Então por que você quer me comer?
Cobra: PORQUE NÃO SUPORTO VER VOCÊ BRILHAR!

Na sequência, reproduzo para você o texto “Pedras e Frutos” que escrevi para meu livro Atitudes Vencedoras. Ele sintetiza nossa reflexão de hoje.

PEDRAS E FRUTOS
Não se atiram pedras em árvores sem fruto; toda tentativa de apedrejamento visa sempre derrubar os frutos. Inocente ignorância dos apedrejadores, porque, mesmo conseguindo o feito, se esquecem de que os frutos caídos no chão experimentarão o tempo e a decomposição e voltarão a frutificar, de uma ou de outra maneira, pois cada semente dá origem à essência interior que carrega. Já as pedras caídas no chão permanecerão pedras, e as mãos que as atiraram terminarão vazias, tão vazias quanto o coração e a alma das pessoas que lhes ativaram o movimento.

Não permita que a inveja atrapalhe sua vida! Ela só te fará mal se você permitir. Como dizia Mário Quintana: “Todos estes que aí estão atravancando o meu caminho. Eles passarão. Eu passarinho.”

A afinidade

20 de dezembro de 2013 às 01:37

"A afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois... A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades... Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi. Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras... É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com. Não é sentir contra. Nem sentir para. Nem sentir por. Nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado."

Artur da Távola

De repente é noite e você está tão só - Marla de Queiroz

8 de dezembro de 2013 às 08:47
De repente é noite e você está tão só...O meu dia foi lindo, mas eu sei que o seu te doeu até agora e eu não posso amenizar nada com palavras que pretendam ser abraços porque elas te falariam obviedades sobre tempo, paciência e espera_ quase uma crueldade quando o que a gente quer é uma premonição, uma certeza, alguma frase cheia de sabedoria que norteie nossa vida...
De repente a semana está começando de novo, mas só se passaram alguns dias e todos foram tão abarrotados de ausência e medo e confusão interna, de uma busca quase estéril de se sentir melhor ,de fazer coisas por si mesma....E o buraco insistindo no meio de dentro do corpo, o abismo gelado, o choro engrossado de escuridão e descrença...
E eu te vejo encolhida num canto, o desespero nos olhos, o peito abafado, a vontade do grito e a falta de fôlego...E eu não sei a coisa mais bonita que eu poderia te escrever....Sei que já vi borboletas voarem faltando um pedaço da asa e rosas incríveis desabrocharem num copo com água: e é disso que me nutro pra acreditar que a meteorologia nem sempre está certa e que dias tão cinzentos podem ser prefácios de noites com sol...Sei que se eu estivesse aí,certamente estaríamos juntas no cantinho mais confortável de qualquer lugar escolhido por você e eu te daria um abraço com tanto encaixe e amor que você, por pelo menos alguns minutos, encontraria
“ um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”...
E mesmo que o seu corpo todo doa numa súplica e que “ele” seja toda sua ferida... Meu amor, eu espero , sinceramente, que o pedacinho que falta na tua asa, não te impeça o vôo...

Marla de Queiroz

Lição de Ano Novo


1 de dezembro de 2013 às 10:01


Aprendemos que, por pior que seja um problema ou situação, sempre existe uma saída.
Aprendemos que é bobagem fugir das dificuldades. Mais cedo ou mais tarde, será preciso tirar as pedras do caminho para conseguir avançar.
Aprendemos que perdemos tempo nos preocupando com fatos que muitas vezes só existem na nossa mente.
Aprendemos que é necessário um dia de chuva para darmos valor ao Sol, mas se ficarmos expostos muito tempo, o Sol queima.
Aprendemos que heróis não são aqueles que realizam obras notáveis, mas os que fizeram o que foi necessário e assumiram as consequências dos seus atos.
Aprendemos que, não importa em quantos pedaços nosso coração está partido, o mundo não pára para que nós o consertemos.
Aprendemos que, ao invés de ficar esperando alguém nos trazer flores, é melhor plantar um jardim.
Aprendemos que amar não significa transferir aos outros a responsabilidade de nos fazer felizes. Cabe a nós a tarefa de apostar nos nossos talentos e realizar os nossos sonhos.
Aprendemos que o que faz diferença não é o que temos na vida, mas QUEM nós temos. E que boa família são os amigos que escolhemos.
Aprendemos que as pessoas mais queridas podem às vezes nos ferir. E talvez não nos amem tanto quanto nós gostaríamos, o que não significa que não amem muito, talvez seja o máximo que conseguem. Isso é o mais importante.
Aprendemos que toda mudança inicia um ciclo de construção, se você não esquecer de deixar a porta aberta.
Aprendemos que o tempo é precioso e não volta atrás. Por isso, não vale a pena resgatar o passado. O que vale a pena é construir o futuro.
O nosso futuro ainda está por vir.
Então aprendemos que devemos descruzar os braços e vencer o medo de partir em busca dos nossos sonhos.

"Todo filho é pai da morte de seu pai" Fabrício Carpinejar.


3 de dezembro de 2013 às 08:34


"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

GIRASSÓIS E MIOSÓTIS


1 de dezembro de 2013 às 09:59

            O girassol é a flor raçuda que enfrenta até a mais violenta intempérie e acaba sobrevivendo.

            Ele quer luz e espaço e em busca desses objetivos, seu corpo se contorce  o dia inteiro.
            O girassol aprendeu a viver com o sol e por isso ele é forte.
            Já o miosótis é plantinha linda, mas que exige muito cuidado.
            Gosta mais de estufa.
            O girassol se vira... e como se vira!
            O miosótis quando se vira, vira errado. Precisa de atenção redobrada.
            Há filhos girassóis e filhos miosótis.
            Os primeiros resistem a qualquer crise: descobrem um jeito de viver bem, sem ajuda.
            As mães chegam a reclamar da independência desses meninos e meninas, tal a sua capacidade de enfrentar problemas e sair-se bem.
            Por outro lado há  filhos e filhas miosótis que sempre precisam de atenção.
            Todo o cuidado é pouco diante deles.
            Reagem desmesurada mente , melindram, são mais egoístas que os demais, ou as vezes mais generosos e ao mesmo tempo tímidos, caladões.
            Eles estão sempre precisando de cuidados.
            O papel dos pais é o mesmo do jardineiro que sabe das necessidades de cada flor, incentiva ou poda na hora certa.
            De qualquer modo fique atento.
            Não abandone demais os seus girassóis porque eles também precisam de carinho... e não proteja demais os seus miosótis.
            As rédeas permanecem  com vocês... mas também a tesoura e o regador.
            Não negue, mas não dêem tudo o que querem: a falta e excesso de cuidado matam a planta...

                                                      Autoria: José Fernandes de Oliveira - Padre Zezinho